Cuidados no Orquidário

Enviado pela associada Nancy Furini

 “Recebi do Denitiro Watanabe e achei interessante.”

CUIDADOS NO ORQUIDÁRIO

– Para quem ainda tem poucas orquídeas, é importante fazer imersão periódica por duas horas para eliminar todos os bichos pulmonados:lesma, tatuzinho, aranha, formiga.

– Sempre que as plantas voltam de uma exposição, fazer desinfecção com fungicida mais inseticida.

– Nunca amontoar plantas, de modo que nenhuma encoste na outra. Diminuir arejamento é propício para proliferação de pragas e doenças.

– Cuidado com planta que começa a entouceirar, principalmente quando novas hastes crescem por cima da própria planta.

– Descarte plantas em condições precárias. Elas podem contaminar plantas vizinhas.

– Procure olhar as raízes regularmente e replantar, se necessário. Não confie em plantas com aparência saudável, quando vai manusear instrumentos de corte sem esterilização. Podem estar contaminadas por fungos ou vírus, mas sem manifestação visual. O problema pode se manifestar de modo diferente, dependendo do tipo de planta: um, pode se manifestar na floração, com flores longe do seu padrão. Outro, produz manchas nas folhas. Outro, pode diminuir a capacidade de novos bulbos.

REGA NO ORQUIDÁRIO

É uma questão crucial. A única alternativa é usar o bom senso. Se o orquidário for constituído por vasos iguais com plantas iguais pode se estabelecer um critério de intervalo padrão para as regas (monocultura), mas isso não ocorre num orquidário de colecionador que tem plantas diferentes, em vasos de diferentes tamanhos com substratos diferentes, outras plantadas em troncos ou cascas e penduradas.

É possível encontrar em um orquidário, um vaso com substrato seco e outros vizinhos a este com o substrato molhado ou até encharcado. Assim, o correto seria examinar vaso por vaso e molhar apenas os que estão secos. Quem tem tempo para fazer isso, se na coleção existem milhares de vasos?

Uma solução seria separar os vasos que secam rapidamente dos que demoram para secar. Essa diferença, na verdade, está quase sempre associada à quantidade de raízes vivas. Quanto maior for a quantidade de raízes vivas, mais intenso será o metabolismo e maior a absorção de água.

SUBSTRATO

Orquídeas epífitas precisam apenas de um suporte para se desenvolver,  que, na natureza, é um tronco de árvore.  Neste local, as raízes estão longe de lodo, lama, terra ou qualquer outro material que sufoque a sua atividade respiratória.

Assim, pelo menos é teoricamente proibitivo o uso de substrato compacto que impede o arejamento.

O uso de musgo como substrato exige uma rega muito bem controlada, de modo que é essencial que esteja protegido de chuva prolongada.

Ao contrário, quando se planta com brita, a drenagem é bem rápida, de modo que se pode adaptar em orquidário coberto  apenas com uma tela, ou seja, que recebe água da chuva.

Há 50 anos planto Cymbidium com brita e atualmente passei a usar a mesma brita com Cattleya e estão indo bem.

ADUBAÇÃO

Obtive resultados ótimos com adubo de cavalo. Resultado similar, só obtive com o adubo Hyponex.

Formulei um adubo que contém partes iguais de NP e um pouco mais para K. Isto porque:

1. A análise do adubo de cavalo mostra a formulação assim.

2. A análise feita com cinza de orquídeas também mostra a formulação acima.

Então, o meu adubo é constituído com  a formulação acima, mais Ca, S, Mg, que também são componentes macros,  mais os micros Mn, B, Co, Fé, Cu, Mo, Zn.

Não uso adubo com maior porcentagem de N para crescimento nem com maior porcentagem de P para floração.

Na natureza, as orquídeas com as raízes grudadas nos troncos de árvores recebem os nutrientes que vêm com a água da chuva.

Não há chuva com maior porcentagem de nitrogênio (N) para plantas em crescimento nem chuva com maior teor de fósforo (P) para orquídeas que se preparam para a floração.

E a planta floresce e perpetua a sua espécie.

Quando ela é arrancada e trazida para o nosso orquidário e recebe cuidados “com alta tecnologia”(adubos especiais para crescimento, floração, manutenção, hormônios e vitaminas, etc), muitas vezes dá flor medíocre, quando não morre antes.

A adubação radicular é suficiente, sendo dispensável a adubação foliar. Os estômatos absorvem nutrientes, quando abertos, mas isso é insuficiente como adubação normal.

AGROTÓXICOS

Uso agrotóxico há 50 anos e continuo vivo. Apenas tomo o cuidado de aplicar em dia sem vento, com borrifador de 1 m de comprimento. Nunca usei máscara e roupa de proteção.

Existe risco? Sim, existe. É como atravessar uma avenida movimentada. Mas sempre é possível, com cuidado, chegar ao outro lado vivo.  Toda bula de agrotóxico alerta sobre terríveis desastres que podem ocorrer com seu uso, mesmo para aqueles de pequena toxidade.

Lembrando Hemingway (se não me engano):

“Se jogassem todos os remédios do mundo no mar, este seria um triste dia para todos os peixes.”

Mas não podemos deixar de admitir que remédios curam muita gente, assim como os agrotóxicos curam as plantas.

Existem remédios comuns como a Agrimicina que é um antibiótico usado para combater doença bacteriana das plantas.

Sempre uso agrotóxico junto com adubo e espalhante adesivo, que ajuda a espalhar e fixar. Fisicamente diminui a tensão superficial.

Sempre estão presentes um ou mais fungicidas e um inseticida.

Para não criar resistência, faço revezamento de produtos. Também porque um  único tipo de fungicida não abrange o combate a todos os possíveis fungos existentes no orquidário.

No caso de dois fungicidas, nunca uso os dois de contato. Pelo menos um deles é sistêmico.

A dosagem é sempre a máxima recomendada pelo fabricante. Nunca menos.

Alguns FUNGICIDAS que tenho usado: Captan (uso há mais de 30 anos). Nos EUA é usado também como bactericida. Evito o uso antes da floração. Outros fungicidas: Aliette, Cercobin, Amistar, Dithane, Derosal etc.

INSETICIDAS: Contra cochonilha em geral o óleo (mineral ou vegetal) ou óleo de Nim é eficiente e não agressivo ao meio ambiente. Outros inseticidas: Agritoato, Tamaron, Confidor (parece ser eficiente e de baixa toxidade)

BACTERICIDAS: Agrimicina (oxitetraciclina + estreptomicina), Sais de cobre (por exemplo, oxicloreto de cobre) 

NEMATICIDA: óleo de NIM, Furadan (granulado que é pouco tóxico)

LESMICIDA: Metarex

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13 Respostas to “Cuidados no Orquidário”

  1. Amauri Antonio da Silva Says:

    eu tenho uma orquidea que esta morrendo porque eu enxarquei o vaso e suas raizes estão morrendo me pediram para dar complexo B, mas alem diso o que devo fazer para elas vingarem

  2. KALL Saranyvievsky Says:

    Olá CARMEM!
    Fiquei curioso em conhecer o blog que VC diz a INGRID “sobre o cultivo de Phallaenopsis”; como faço pra chagar lá?
    É possível VC me responder via e-mail particular, tbém?!!!
    P.S. muito bom ter passado por aqui… fiquei mais culto sobre minha coleção.
    OBRIGADO e continue nos ajudando.
    KALL

  3. fernando costantini Says:

    Desearia saber donde puedo comprar en brasil,argentina o USA, producto Hiponex o similares para crecimiento o florecimiento de orquideas.Soy un orquidofilo de Paraguay

    • Amigaorquidea Says:

      Olá Fernando, contate esse produtor. Boa sorte.

      Orchiland (Shunsuke Kuroda)
      Caixa Postal, 2609
      Fone: (0**11) 8174-3743
      E-mail: s.kuroda@terra.com.br
      08780-990 Mogi das Cruzes
      Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

      Carmen Crescencio

  4. joaquim elias Says:

    Tenho tido muitos problemas com cochonilhas que estão infestando minhas plantas ornamentais. sou produtor de cactos e suculentas em Brasília. O óleo de NEEM não é muito recomendado para cactos pois obstrui os poros da planta. Já usei evidence e não surtiu efeito. Já usei Decis e parece ser fraco, acho que a praga ficou resistente. Um grande produtor de ornamentais me indicou Furadan, mas não me disse em que proporções aplico. Comprei o Furadan líquido. Gostaria de saber se é mesmo eficaz contra a cachonilha, se não matará as minhas plantas, em que quantidade devo aplicar, se existe plantas que não suportam o Furadan, se devo repetir a aplicação do Furadan e em quantos dias. Aguardo resposta. Obrigado.

    • Amigaorquidea Says:

      Bom dia Joaquim

      Recomendaria, antes de tentar remédios mais agressivos, usar Malathion 500 CE ou similar conforme bula, 3 aplicações com espaço de 10 dias entre aplicações. Não esquecer de usar EPI.

      José Carlos B. de Souza – Coordenador Técnico

      abraços
      Carmen

  5. ingrid Says:

    * a phalaenopsis precisa de uma redução de temperatura à noite ?
    * Quais são as diferenças entre as fases de vida de uma orquídea ? Como sabeer em qual fase ela está ?
    *é necessário a adubação radicular e foliar ?
    *Qual é melhor , adubo ou fertilizante ? para diluir em água ou pronto uso ?

    OBS:estou falando da orquídea phalaenopsis .
    obrigada !

    • Amigaorquidea Says:

      Olá Ingrid

      Desculpe a demora em responder, mas fim de ano foi só correria.
      No blog está publicado um texto bem simples sobre o cultivo de Phallaenopsis,
      acredito que responde suas dúvidas.

      Feliz 2011
      abraços
      Carmen

  6. nelson pedrosa de lucena Says:

    sou um colecionador novo no ramo e dicas como estas são muito proveitosas,agradeço a voces orquidofilos que gostão de ajudar os menos informados,o mundo precisa de gente que nem vocês.meus parabêns e muito obrigado

    • sborquideas Says:

      Obrigada Nelson, se tiver alguma dúvida, mande pra nós, temos colecionadores com muita experiência e com certeza vão te orientar corretamente. Nosso objetivo é ajudar.

      abraços
      Carmen Crescencio

  7. fatima oliveira Says:

    somos distribuidores do lesmicida metarex sp para controle de lesmas e caramujo africano. consulte 19 3523 8137 – Rio Claro

    • sborquidea Says:

      Olá Fatima,

      obrigada pelo contato. O Metarex é conhecido e usado por alguns aorquidófilos.
      Voces tem interesse em divulgar o produto em exposição? Entre em contato.

      abraços
      Carmen Crescencio

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